segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Who am I ?

"Há dias em que me sinto vazia, como se um cansaço imenso e letárgico se tivesse instalado sem pré-aviso e me tolhasse o coração e o espírito. São dias em que acordar é pior do que ter um pesadelo e levantar-me da cama parece mais difícil do que atravessar o Atlântico a nado.

Manhãs submersas em recordações e saudades, a sonhar calada tudo o que quis e nunca tive, mais o que mereço mas ainda não alcancei."                                        

    Margarida Rebelo Pinto
Tenho andado perdida. 
Perdida de mim. De quem sou.

Não me reconheço.
Não me entendo.
Não me sinto em mim.


...Quando foi que me perdi? 

sábado, 2 de junho de 2012

Meu (e)terno amigo...

Não sou católica.
Não frequento a igreja. Exceto quanto tem mesmo que ser.

Não gosto que passagens biblícas utilizadas para descrever momentos e sentimentos que são únicos.
Não gosto de padrões para retratar emoções.

Mas numa dessas forçosas visitas à igreja, um padre disse algo que nunca esquecerei: explicou que a única forma de imortalizarmos alguém, é mantê-lo vivo, na nossa memória. E na memória de quem nos rodeia.

... E assim tenho feito.

Tenho-te comigo, sempre.
E quem me conhece. Quem me conhece verdadeiramente, conhece-te a ti também.

Não é um ato em consciência.
Não é uma prova que te quero dar.
É uma necessidade.

Porque Eu, também sou Tu.
E isso, nada - nem o tempo, nem a tua auência física, terrena - podem mudar.

Falo de ti, porque continuas presente.
Mentiria se dissesse que estas presente como no dia em que partiste.

Não.
Um ser humano não aguenta tanto sofrimento, durante tanto tempo.

Temos que aprender a calar a dor. A revolta.
Temos que aprender a transformar os sonhos. A saudade.

E isso não se consegue guardando as memórias.

No meu caso, só consigo fazê-lo, partilhando-as.
Fazendo-as acontecer de novo.
Revivendo-as de cada vez que as divido com alguém.

Eras o meu herói.
Não. Não!
És o meu herói.

Desde que te conheci - e desde que me conheço a mim - que queria ser como tu.

Ouvíamos música da pastilha tão alta que só por sorte não chegámos a rebentar os vidros do teu quarto.
Tu dizias que era fixe. Que tinha passagens incríveis.
Ouvia-la nas raves.

E eu não percebia nada disso.
Ouvia-a só porque tu gostavas.
Embora preferisse os Onda Choc...

Bebíamos coca-cola com gelo e limão e conversávamos sobre os nossos sonhos.
E no auge dos meus doze anos, isso era uma coisa muito cool de se fazer.

Dedicaste-te a mim como mais ninguém tinha feito.
Contigo eu não era uma menina de doze anos e tu um jovem de vinte e pouco.

Eramos dois amigos.
Sem idades.
Sem barreiras.

Tu não te importavas que eu pudesse correr.
E andar de patins.
E voar, se tivesse vontade!

E eu não me importava nada de te ajudar a vestir ou de, de vez em quando, te empurrar a cadeira de rodas.

Tu eras assim.
E eu nem sequer desejava que fosses diferente.

Respeitava-te. Admirava-te. Amava-te, assim como eras.
E sentia que, sobretudo, tu me respeitavas e me consideravas, como mais ninguém.

 A verdade é que não sei se me tornei parecida contigo.
Até gosto de techno/house music, mas só numa noite daquelas de desgraça...

Mas nunca mais voltei a ignorar a diferença.
Afinal, foi ela quem te levou.

Estudei e convivo, todos os dias, com pequenas diferenças.
Luto para amenizá-las.
Mas acho que nem sempre consigo.
...

Daria meia dúzia de anos da minha vida para me sentar contigo no quintal da avó.

Nós.
O mesmo sol dos verões que lá passei em casa.
E dois copos de coca-cola com gelo e limão.

Queria conversar contigo.
Falar-te das minhas vitórias. Das minhas derrotas.
Dos meus sonhos e das pessoas que são importantes para mim.

Queria que me conhecesses, agora que sou mais eu.
Queria que te pudesses orgulhar de mim, como eu me orgulho de ti!

Fazes-me tanta falta...










sábado, 3 de março de 2012

Um quadro (im)perfeito

Quis pintar um quadro perfeito.

Escolhi a tela, com tempo e com cuidado.

Escrevia a lápis e polia o bico com frequência: cada traço teria que ser exemplar!

Usava folha de rascunho e só depois, com papel vegetal, decalcava os feitos para a tela.

Fui desenhando, devagar.
Fui construindo uma encenação pensada. Cuidada. Bem calculada.

E assim foi, durante algum tempo...

Mas sou humana. Descuidei-me.

Justamente quando me preparava para lhe dar cor.
Para me comprometer.
Quando peguei no pincel para demarcar com tinta os traços que há meses esboçava...

O vento.
A mudança.
A imprevisibilidade.

É...não podemos controlar tudo.
E há sempre uma janela aberta!

...E assim o vento entrou.
De rompante, derramou uma lata de tinta na tela que era pra ser perfeita.

Entrei em pânico.
Fiquei em choque!

Chorei. Gritei. Rasguei-me por dentro e por fora.
Enfureci-me. Enchi-me de raiva e de rancor!
...

E a tela continuava ali, em cima da mesa. Esquecida.
A tinta seca. Os traços-que-eram-para-ser-perfeitos, sumidos. Apareciam só aqui ou ali, onde a tinta não havia chegado.

Os pincéis e os lápis-caros e as tintas e o papel vegetal, abandonados.

E depois. Só depois. Parei. E reparei.
Nada acontece por acaso.

...

Ainda atordoada, frustrada, voltei e pegar no pincel.

Revolvi a tinta ressequida. Pintei por cima. Sem ensaios. Sem projetos.
Adicionei cores ao acaso. Misturei tudo.

E, sem querer, fui dando forma áquele caos.

Não era um quadro de exposição.
Foi-se tornando uma coisa só minha, que ninguém entendia. E ainda bem!

Era um quadro confuso. Revolto. Livre.

De luta e de coragem.
De fé e de vontade. Sem regras. Sem propósito. Sem caminhos traçados.

Era um quadro de alma. Bravo. Doce. Autêntico.

Era um quadro de amor.

domingo, 25 de dezembro de 2011

25 de Dezembro

Nunca se esquece este dia.
E apesar de não ter necessariamente que ser um dia inesquecível, é-o, quase sempre.

E no fim de contas, não fizemos nada de especial; não batemos nenhum record mundial, nem fizemos a nossa viagem de sonho. Na verdade, o mais provavel é que nem tenhamos descalçado as pantufas.

Não é preciso ir longe ou querer em grande para se ter tudo o que se precisa.

...O dia de Natal pode repetir-se, refazer-se ano-após-ano, ser sempre igual, que a gente não esquece nenhum.

E, afinal, o que fica retratado na memória são as mesas fartas de sorrisos, os sofás superlotados de calor e de carinho, os fatos-de-pai-natal e os corações e os olhos e o corpo dos miúdos aos pulos, desesperados por rasgar embrulhos!

Não me lembro em que Natal recebi aquele relógio caro que tanto queria, nem do Santo-Natal em que a minha avó não deu bronca com a ementa...mas lembro-me ao pormenor das coisas mais banais, e é dessas que tenho saudades.

É exactamente por ser uma data tão inesquecível que o Natal tantas vezes se torna uma data tão detestável.

...O tempo altera as circunstâncias, mas altera sobretudo as pessoas e as suas vontades.

O tempo seca as flores. Leva-nos a juventude e a vida de entes-queridos.
É...O tempo tira. Mas também dá. E, às vezes, dá a dobrar.
Traz-nos novos sonhos. Novos anseios. Novos amores...novas vidas!

O problema não é o tempo. O problema é o que as pessoas escolhem fazer com ele.

O problema são as pessoas que preferem coleccionar cólera. Rancor. Tristeza. Penitência.

Eu prefiro coleccionar e fabricar recordações felizes.
E é por isso que neste Natal não me saem da cabeça o sorriso dos meus avós, os gritos dos miúdos pela casa, as aparições do pai-natal, o aconchego da lareira...

Porque não pude acumular recordações felizes, hoje recordei, triste e repetidamente, a alegria e a união que o tempo e as pessoas levaram.

Às vezes a vida também é feita de recordações felizes.
E ao menos essas já ninguém mas tira!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Esperei-te

Esperei-te na noite.

Mesmo de peito vazio. De olhos borrados e lágrimas secas, desfeitas no peito.

Esperei-te não para te abraçar, te amar e me perder em ti, como desejo.

Esperei-te foi para te ver rasgar a noite de desespero!
Para sentir o tremor na tua voz e no teu peito.
Para afastar à bruta o teu abraço e sentir, já sem querer, o teu perfume no ar.

Esperei-te para ler loucura no teu olhar.
Para te ouvir falar a chorar sobre os momentos que não consigo esquecer.

Esperei por um gesto que me dissesse o fundo de ti. Queria saber ao certo quem és!...

Sabendo que não vinhas esperei-te...para te ver morrer de amor por mim.

E tu, que sabes tanto de mim, que sabes que me afasto do mundo quando mais dele preciso...não vieste.

...E abandonas-me dizendo que lutas por mim.

sábado, 9 de julho de 2011

Não vás para onde não te possa seguir.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Alegria & Felicidade

"A felicidade está para a alegria como uma lâmpada eléctrica está para o sol. A felicidade tem sempre um objecto, é-se feliz por alguma coisa, é um sentimento cuja existência depende do exterior. A alegria, pelo contrário, não tem objecto. Possui-nos sem qualquer razão aparente, no seu ser assemelha-se ao sol, arde graças à combustão do seu próprio coração."