sábado, 9 de julho de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Alegria & Felicidade
"A felicidade está para a alegria como uma lâmpada eléctrica está para o sol. A felicidade tem sempre um objecto, é-se feliz por alguma coisa, é um sentimento cuja existência depende do exterior. A alegria, pelo contrário, não tem objecto. Possui-nos sem qualquer razão aparente, no seu ser assemelha-se ao sol, arde graças à combustão do seu próprio coração."
sábado, 30 de outubro de 2010
só Tu
Chove.
E chove cá dentro, como lá fora.
Ouve-se o vento. Só.
A televisão está desligada, os livros dispostos na estante.
Coloco uma música, baixinho.
Calço as meias mais quentes e pego numa caneca de chá, que esfumaça pelo quarto.
Aconchego-me em mim mesma.
Perdida. Esquecida. Mas mais perto de mim.
Envolvo-me. Revolvo-me.
Encolho-me, pra me sentir livre.
Fecho os olhos. Penso em ti. Em como me prendi.
Tremo.
Se me faltares, falta-me o chão.
E temo.
Não planeei isto. Não escolhi amar-te. Aconteceu.
Foi de repente. Ou então não.
Acho que esperei por ti a vida inteira.
Imaginei-te, ainda antes de te conhecer.
Desenhei-te as qualidades. Escolhi-te os defeitos.
Eras tu. Sempre foste tu.
Por isso mesmo, não te consegui largar.
Risquei tudo. Mudei de planos. Mudei de vida. Quis escrever de novo.
Compensaste o risco. Cada dia. Cada minuto. Cada sorriso.
Dei-te a mão. Dei-te o corpo. Dei-te a alma. Dei-te tudo.
E tu devolves-me. Constróis-me. Todos os dias.
Mais brilhante, mais inteira, mais gigante.
E todos os dias, para poder voar, prendo-me mais um pouco.
Eu, que sempre me quis tão independente!
E isso assusta-me, sabes?
Destruíste-me as muralhas. Despiste-me as armaduras. Desarmaste-me.
Cuidaste de mim. E eu gostei.
Demasiado...
E chove cá dentro, como lá fora.
Ouve-se o vento. Só.
A televisão está desligada, os livros dispostos na estante.
Coloco uma música, baixinho.
Calço as meias mais quentes e pego numa caneca de chá, que esfumaça pelo quarto.
Aconchego-me em mim mesma.
Perdida. Esquecida. Mas mais perto de mim.
Envolvo-me. Revolvo-me.
Encolho-me, pra me sentir livre.
Fecho os olhos. Penso em ti. Em como me prendi.
Tremo.
Se me faltares, falta-me o chão.
E temo.
Não planeei isto. Não escolhi amar-te. Aconteceu.
Foi de repente. Ou então não.
Acho que esperei por ti a vida inteira.
Imaginei-te, ainda antes de te conhecer.
Desenhei-te as qualidades. Escolhi-te os defeitos.
Eras tu. Sempre foste tu.
Por isso mesmo, não te consegui largar.
Risquei tudo. Mudei de planos. Mudei de vida. Quis escrever de novo.
Compensaste o risco. Cada dia. Cada minuto. Cada sorriso.
Dei-te a mão. Dei-te o corpo. Dei-te a alma. Dei-te tudo.
E tu devolves-me. Constróis-me. Todos os dias.
Mais brilhante, mais inteira, mais gigante.
E todos os dias, para poder voar, prendo-me mais um pouco.
Eu, que sempre me quis tão independente!
E isso assusta-me, sabes?
Destruíste-me as muralhas. Despiste-me as armaduras. Desarmaste-me.
Cuidaste de mim. E eu gostei.
Demasiado...
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Como eu e tu.
Somos o avesso um do outro: iguais por fora, o contrário por dentro. Tu proteges-me, acalmas-me, ouves-me e ajudas-me a parar. Eu puxo por ti, sacudo-te e ajudo-te a avançar.
Como duas metades teimosas.
Como duas metades teimosas.
terça-feira, 8 de junho de 2010
O meu velho amigo Ferry
O Ferry era o meu cão, o meu irmão mais novo, o meu melhor companheiro e mais fiel amigo. E nunca precisámos de conversar. Às vezes, muito poucas, eu dizia-lhe duas ou três coisas que me preocupavam e ele respondia-me com um olhar ou um suspiro e eu percebia o que ele me queria dizer; que o mundo poder ser um lugar difícil, mas, se formos bons, a vida traz-nos as pessoas certas que nos podem proteger e cuidar de nós. E que o importante é não complicar, ter tempo para descansar e brincar, seja qual for a nossa idade ou profissão.
O Ferry ensinou-me a amar o silêncio e a respeitar o silêncio dos outros. Mas também me ensinou a atacar de forma letal os meus inimigos, a ser grato a quem me quer bem e a lamber as feridas longe dos outros.
Morreu envenenado e deixou um vazio na minha vida.
Nunca esquecemos aqueles que amamos, nunca deixamos de amar aqueles que nos amaram, nunca perdemos a sabedoria que nos legaram, nunca deixamos de ter saudades daqueles que mudaram a nossa vida.
Nunca esquecemos aqueles que amamos, nunca deixamos de amar aqueles que nos amaram, nunca perdemos a sabedoria que nos legaram, nunca deixamos de ter saudades daqueles que mudaram a nossa vida.
E é por isso que quando escondes a cabeça abaixo do meu ombro direito e dizes em voz muito baixa e temperada, com riso e embaraço, que se calhar te estás a apaixonar por mim, fico calada para que me oiças melhor e penso que sou uma pessoa cheia de sorte.
O Ferry tinha razão; a vida nem sempre é fácil e o mundo pode ser um lugar vil e torpe onde há homens que têm prazer em mutilar crianças e envenenar cães, mas se formos bons, a vida traz-nos as pessoas certas que nos podem proteger e cuidar de nós.
E tu, já fazes parte da minha vida.
Margarida Rebelo Pinto
O Ferry tinha razão; a vida nem sempre é fácil e o mundo pode ser um lugar vil e torpe onde há homens que têm prazer em mutilar crianças e envenenar cães, mas se formos bons, a vida traz-nos as pessoas certas que nos podem proteger e cuidar de nós.
E tu, já fazes parte da minha vida.
Margarida Rebelo Pinto
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Espaços
Não me interpretem mal.
Não é de arrependimento que venho falar-vos, tampouco de incertezas.
Falo-vos do vazio.
Dos espaços que, estando eternamente ocupados, por vezes nos ecoam na mente, como que para recordar que ali permanecem. Quietos. Imutáveis. Cimentados.
E os espaços - os do coração - são de quem são.
E nem mesmo quando os sentimentos que preenchem determinado espaço mudam, ele deixa de existir.
No coração não se troca de inclino.
No coração coleccionam-se as vivências e as recordações felizes.
No coração coleccionam-se as vivências e as recordações felizes.
O que nos chega ao coração, a gente tende a aprisionar.
E é assim, com corações cada vez mais esburacados, que vamos sendo felizes.
E embora um ou outro espaço esteja fisicamente vazio, eles estão prenhes de sonhos especiais:
Aqueles que já vivemos!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
E (novamente) depois?
- Depois, - diziam-me despreocupadamente, vezes sem conta - abres as asas e voas!
- Como se isso fosse assim tão fácil... - resmunguei - Será que não havia viv`alma capaz de compreender a minha agonia?
Parecia-me, de facto, um feito inalcançável: Como poderia a liberdade de um voo estar apenas à distância de um distender de asas?
Não. Não podia ser.
E as turbulências? E as tempestades? E o medo? E a solidão? E o desconhecido?
Será que não havia mais ninguém prudente à face da terra, além de mim mesma?
Bom, depois... a verdade é que, até hoje, não consigo entender que impulso me motivou.
- Como se isso fosse assim tão fácil... - resmunguei - Será que não havia viv`alma capaz de compreender a minha agonia?
Parecia-me, de facto, um feito inalcançável: Como poderia a liberdade de um voo estar apenas à distância de um distender de asas?
Não. Não podia ser.
E as turbulências? E as tempestades? E o medo? E a solidão? E o desconhecido?
Será que não havia mais ninguém prudente à face da terra, além de mim mesma?
Bom, depois... a verdade é que, até hoje, não consigo entender que impulso me motivou.
Acordei, um dia, mais apagada e amarrada do que nunca. O Verão estava a chegar ao fim e parecia que até o tempo estava solidário comigo: tudo era cinzento.
Sentia-me como um passarinho depenado e sem graça, preso numa gaiola, para quem toda a beleza do mundo não passa de apenas uma miragem. Jamais poderia voar, jamais poderia respirar fundo e desfrutar, de facto, do paraíso que me reodeava.
Aconteceu de repente. Ou então não.
Confesso que, na altura, não foi por querer voar que me soltei.
A verdade é que continuava convencida de que isso era realmente impossível. Mas a oportunidade de correr de braços abertos para o vazio, sentindo só assim o vento a bater-me na cara e o cabelo a esvoaçar ao vento, pareceu-me completamente irresistível!
A gente às vezes, realmente, pensa demais!
E não é que não custou assim tanto?
Daí a experimentar os primeiros voos foi um instante!
Pois claro, ainda houve uns dias em que choraminguei, assim sem ninguém ver. Por mais que digam o contrário, não é de ânimo leve que se tiram os pés do chão e se ganha o hábito de viver sem a segurança que a terra firme nos transmite.
Reconheço que, até agora, os voos têm sido ainda instáveis, mas estou convencida que consigo apanhar o jeito!
Às vezes, quando ando lá bem alto por entre as nuvens, só consigo pensar: Será realmente preciso voltar a aterrar?
Engraçado...as voltas que a vida dá!
Sentia-me como um passarinho depenado e sem graça, preso numa gaiola, para quem toda a beleza do mundo não passa de apenas uma miragem. Jamais poderia voar, jamais poderia respirar fundo e desfrutar, de facto, do paraíso que me reodeava.
Aconteceu de repente. Ou então não.
Confesso que, na altura, não foi por querer voar que me soltei.
A verdade é que continuava convencida de que isso era realmente impossível. Mas a oportunidade de correr de braços abertos para o vazio, sentindo só assim o vento a bater-me na cara e o cabelo a esvoaçar ao vento, pareceu-me completamente irresistível!
A gente às vezes, realmente, pensa demais!
E não é que não custou assim tanto?
Daí a experimentar os primeiros voos foi um instante!
Pois claro, ainda houve uns dias em que choraminguei, assim sem ninguém ver. Por mais que digam o contrário, não é de ânimo leve que se tiram os pés do chão e se ganha o hábito de viver sem a segurança que a terra firme nos transmite.
Reconheço que, até agora, os voos têm sido ainda instáveis, mas estou convencida que consigo apanhar o jeito!
Às vezes, quando ando lá bem alto por entre as nuvens, só consigo pensar: Será realmente preciso voltar a aterrar?
Engraçado...as voltas que a vida dá!
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