terça-feira, 25 de agosto de 2009

Saudade

Não é fácil permitirmo-nos sentir saudades de alguém.

Não quando é saudade a sério. Persistente. Caprichosa. Louca.

Sentir a falta, isso é espontâneo. A gente sente falta de ouvir uma canção, de ler um bom livro, ou da companhia de um velho amigo, mas não endoidecemos na sua ausência.

Sentir falta alimenta-nos. Elucida-nos: tendemos a valorizar o que está ausente ou incerto.

Mas a verdade é que, geralmente, só nos consentimos desejar aquilo que, embora distante, está perto o suficientemente para que o possamos alcançar.

Raras são as vezes em que somos corajosos ao ponto de ambicionar incansavelmente o impossível. Isso consome-nos. Isso paralisa-nos. Isso é saudade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tempo & Amor

"O tempo está para o amor como o vento para os incêndios. Apaga os fracos e ateia os fortes. É uma espécie de teste, uma prova cega, uma forma inequívoca de clarificar aquilo que tanto queremos chamar amor e que não é mais do que o minúsculo embrião de um futuro incerto e tantas vezes improvavél. Mas o amor está para o tempo como uma vela acesa ao luar, trémulo, impaciente, frágil, volúvel, fácil de acender e ainda mais fácil de apagar."
Margarida Rebelo Pinto